Li, recentemente, “A linguagem
do amor”, de Lola Salgado e me apaixonei pela escrita dessa autora. Logo, não
sei se vocês são assim, mas, quando eu me encanto por algum autor, sinto a
necessidade de ler tudo o que esse autor(a) escreve. No caso de Lola Salgado,
portanto, não foi diferente. Após terminar a Linguagem do amor, mergulhei de
cabeça no livro “Minha vida (não) é uma
comédia romântica”, e, agora estou aqui para dar o meu feedback sobre ele.
“Minha
vida (não) é uma comédia romântica” é, também, um ebook
bem curtinho com, no máximo, 434 páginas. Porém, ao contrário do primeiro livro
dela que li, senti que a minha leitura deste foi um pouco mais arrastada. Ele
não me prendeu logo de início. Mas isso não quer dizer que achei-o um livro
ruim. Nada disso.
O livro narra em primeira
pessoa a história de Chloe Tavares, uma garota de 25 anos, negra, que ainda não
descobriu o seu lugar no mundo. Ela já havia tentado alguns cursos em
faculdade, mas acabou desistindo deles. Enquanto isso, trabalhava com serviço
de telemarketing. Além disso, ela é a segunda filha de três. Sendo Cintia a
irmã mais velha e Camille a irmã mais nova. Esta, iniciando uma possível carreira
de modelo.
Chloe, muitas vezes, sente que
é a decepção da família. Vive sendo comparada com suas irmãs e primas. Seu único refúgio é o seu melhor amigo, Tales Gentil
que, parafraseando a protagonista, não entende de moda e tem aversão a namoros.
Chloe sente que necessita dar
um rumo, uma guinada em sua vida e, para isso, procurava incessantemente
encontrar um namorado. Na visão dela, tudo se resolveria quando ela tivesse um
namorado... Até que...
Certo dia, ela encontra uma
cigana que, após perceber que Chloe não a deixaria ler a mão por preconceito,
lança sobre a garota uma maldição. A maldição apenas se quebraria quando a
Chloe aprendesse a lição. Mas, haja vista que, a cigana não disse para a Chloe
que lição seria esta. E, coincidentemente (ou não) tudo na vida de Chloe passou
a dar errado, sobretudo na vida afetiva.
E, é a partir desse momento que
a história começa a ficar interessante. É possível dar muitas risadas com as
tentativas falhas de Chloe de arranjar um namorado. Confesso que, às vezes,
isso me irritava um pouco, pois a protagonista aparentava estar muito
desesperada para ter um homem...
Ainda assim, o livro é fofo, um clichê bem divertido, embora o título afirme que “(não) é uma comédia romântica”. Ele
aborda assuntos muito pertinentes de uma forma séria, mas suave, como a questão
da representatividade. Perdi a conta de quantas vezes Chloe fala sobre a sua
decisão de deixar o seu cabelo crespo, ou seja, em sua forma natural. O quanto
foi doloroso o processo de transição, principalmente dentro do seu núcleo
familiar, uma vez que, a mãe e a tia não aceitavam isso de forma alguma. Mas também, o quanto isso fez bem para ela, aumentou
sua autoestima e a ajudou a se (re)conhecer.
Uma das coisas que me fez
gostar desse livro, foi o fato de ele abordar o dia a dia
de uma jovem mulher bonita, porém, comum. Pois, a Chloe representa qualquer
mulher brasileira que esteja em seus vinte e poucos anos, e, que esteja,
talvez, passando por uma crise existencial... Quem nunca, né? Ao ler o livro,
fica bem claro as suas qualidades e seus defeitos. O contrário de outros
livros/ romances que já li, em que a mocinha é perfeita e adorada por todos.
O estereótipo masculino,
representado por Tales, também é interessante. Enquanto outros livros retratam “H”omens,
garanhões, libertinos, de imagem perfeita, ricos e bem vestidos. Tales é um
rapaz comum, que adora usar roupas surradas e mantém o seu cabelo comprido,
preso por um coque. E todos sabemos que homens de cabelos comprimidos, neste
país, não são bem vistos, sofrem algum tipo de preconceito também... Além
disso, Tales possui uma cicatriz em seu rosto, que ele tenta esconder por meio
de uma barba rala...
Para os que estão curiosos em
saber se a Chloe conseguiu quebrar a maldição e encontrar um namorado... Pois
bem... Sim, ela conseguiu. Estava bem do lado dela, e só ela não enxergava... (Ah, por favor, vocês sabem de quem estou falando...). Para
isso acontecer, Chloe precisou aprender a amar e a colocar -se em primeiro
lugar... Quando isso aconteceu, coisas supérfluas que a incomodavam tanto como
o modo que seu melhor amigo se vestia, já não a incomodavam mais.
O livro, no meu ponto de vista,
deixou bem clara a mensagem que: quando a gente se ama, o universo conspira a
nosso favor. E, que antes de mais nada, o verdadeiro amor, se aloja dentro de
nós mesmos. Quando sabemos onde ele está, tudo se torna mais fácil.
Quatro estrelas!
* Disponível na Amazon.

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